Alta dos fertilizantes aumenta custos e gera incerteza para produtores, aponta Aprosoja/MS

Conflitos internacionais e problemas logísticos pressionam o mercado global de insumos e elevam a preocupação com o planejamento da próxima safra.

Publicado em 03/07/2026 às 16:56 - do Idest - Em Agronegócio

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(Divulgação Aprosja/MS - Banco de imagens)

A alta dos preços dos fertilizantes no mercado internacional tem ampliado os custos de produção e gerado incertezas para produtores rurais que se preparam para a próxima safra. Segundo análise da Aprosoja/MS, conflitos geopolíticos e dificuldades na produção e transporte de insumos têm pressionado o setor e levado produtores de Mato Grosso do Sul a adotarem maior cautela nas negociações.

De acordo com o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, a dependência brasileira do mercado externo torna o país mais vulnerável às oscilações internacionais.

"O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, e os utilizados nas lavouras brasileiras foram os mais afetados", afirma.

Ureia acumula alta superior a 50%

Um dos insumos mais impactados é a ureia, amplamente utilizada na cultura do milho. Conforme levantamento da Aprosoja/MS, o produto registra aumento superior a 50% desde o início deste ano.

A entidade aponta que conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as recentes tensões entre Estados Unidos e Irã, que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, contribuíram para elevar os custos dos fertilizantes em nível global.

Mato Grosso do Sul reduz importações

De acordo com informativo elaborado pela equipe econômica da Aprosoja/MS, Mato Grosso do Sul reduziu significativamente a importação dos três principais fertilizantes utilizados na agricultura — nitrogênio, fósforo e potássio —, indicando uma postura de cautela diante do cenário internacional.

A situação preocupa justamente em um momento em que os produtores iniciam o planejamento da próxima safra.

Segundo dados da Mosaic, cerca de 35% dos fertilizantes necessários para o próximo ciclo produtivo ainda não foram negociados, o que pode provocar aumento dos custos logísticos nos próximos meses.

"Esse atraso gera um efeito que encarece os custos logísticos para a movimentação deste insumo, uma vez que a demanda solicitada nos próximos meses será extensa. Além disso, a incerteza faz com que o produtor estruture o seu custo de produção sem possuir uma certeza, o que pode acabar prejudicando a sua produtividade, já que os fertilizantes representam boa parte do custo de produção", explica Linneu Borges Filho.

Medidas buscam reduzir dependência externa

O governo federal tem adotado medidas para reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, embora os resultados sejam esperados apenas a médio e longo prazo.

Entre as iniciativas está o avanço do Projeto de Lei 699/2023 (Provert), que prevê a destinação de R$ 10 bilhões em subsídios para estimular a produção nacional. Outra estratégia é a retomada e conclusão das fábricas de fertilizantes da Petrobras, que, após entrarem em operação, poderão suprir cerca de 35% da demanda nacional de ureia.

Planejamento é apontado como essencial

Diante do cenário de instabilidade internacional e volatilidade dos preços, a Aprosoja/MS reforça a importância do planejamento e da gestão dos custos de produção.

"Mais do que nunca, faz-se necessário o planejamento e a boa estruturação do custo de produção por parte do produtor para evitar riscos durante a safra", finaliza o economista.