Agraer apresenta novas tecnologias e avalia cultivar de mandioca com potencial para MS
Dia de Campo reuniu cerca de 200 participantes em Campo Grande; clone IAC 265-97 está em fase experimental e poderá se tornar uma nova opção para os produtores.

Um novo material de mandioca de mesa, ainda em fase experimental, poderá ampliar as opções de cultivo para os agricultores de Mato Grosso do Sul. O clone IAC 265-97 foi apresentado durante o Dia de Campo da Mandioca, realizado nesta quinta-feira (29), em Campo Grande, que reuniu cerca de 200 agricultores familiares, técnicos, pesquisadores e estudantes, incluindo participantes de São Gabriel do Oeste e de outros municípios do Estado.
Desenvolvido em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o material está sendo avaliado pelo Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer). Segundo o pesquisador Eduardo Aguiar, ainda são necessários novos experimentos para comprovar sua produtividade, qualidade das raízes e adaptação às condições de cultivo.
“Estamos vendo a possibilidade de um novo cultivar de mandioca para os agricultores do Estado. Ainda está em fase experimental, mas, após a validação, poderá se tornar uma nova opção para o produtor”, afirmou.
Clone ainda passa por avaliações
O pesquisador explicou que o IAC 265-97 ainda não pode ser considerado uma cultivar. Para isso, precisa passar por experimentos comparativos com outras variedades por, no mínimo, três anos.
A previsão é concluir essa etapa até o final deste ano ou no início de 2027. Depois da validação e dos procedimentos de registro, o material poderá ser disponibilizado aos agricultores.
Atualmente, o Cepaer acompanha 14 cultivares de mandioca em experimentos de campo. Desse conjunto, cinco apresentaram destaque pelo cultivo e adaptação às condições de solo e clima de Mato Grosso do Sul e foram apresentadas durante o evento.
Entre elas está a BRS 429, desenvolvida pela Embrapa, que despertou o interesse dos participantes como alternativa para diversificar o plantio e melhorar os resultados da produção.
Agricultores buscam alternativas para o cultivo
A experiência de produtores também esteve entre os destaques do encontro. Antônio dos Santos, integrante da Associação Alvorada, do Crédito Fundiário, em Bandeirantes, conheceu a BRS 429 durante a Tecnofam 2026, em Dourados.
Ele levou ramas da variedade para plantar em sua propriedade e relatou que, de 16 ramas cultivadas em área irrigada, 13 vingaram. Durante o Dia de Campo, aproveitou a oportunidade para esclarecer dúvidas diretamente com o pesquisador da Agraer.
Outra participante foi Adriana Rodrigues, indígena Terena e moradora da Aldeia Jaguapiru, em Dourados. Ela e o marido cultivam mandioca em uma área de sete hectares e participaram do encontro em busca de conhecimentos para melhorar a produção e evitar prejuízos.
“Mais do que saber o que dá certo, a gente vem aqui para entender o que não dá certo e como evitar problemas”, relatou.
Tecnologias abordaram mecanização, pragas e manejo
A programação foi organizada em quatro estações tecnológicas, com demonstrações sobre variedades de mandioca de mesa, mecanização das operações agrícolas, controle de pragas com uso de drones e manejo de plantas daninhas.
Entre os desafios discutidos esteve o controle da mosca-branca, considerada uma das principais pragas da cultura.
O diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, também destacou a importância da defesa sanitária vegetal. Uma palestra da Iagro abordou medidas como o cadastramento de produtores e a prevenção contra doenças que ameaçam a mandiocultura, entre elas a vassoura-de-bruxa da mandioca, já registrada em outras regiões do Brasil.
O assessor técnico do Senar/MS, Dorly Scariot, ressaltou a parceria entre as instituições para aproximar o conhecimento técnico da realidade das propriedades rurais.
MS produziu mais de 1,5 milhão de toneladas em 2025
A importância econômica da mandioca em Mato Grosso do Sul também foi destacada durante o encontro. Dados do IBGE apontam que o Estado produziu 1.507.693 toneladas da raiz em 2025, em uma área colhida de 62.546 hectares.
O valor da produção alcançou R$ 871,588 milhões, com rendimento médio de 24 toneladas por hectare. O Estado reúne ainda 12.329 estabelecimentos produtores, conforme registro de 2017.
Itaquiraí lidera a produção estadual, enquanto Sidrolândia se destaca pela presença de agricultores familiares e agroindústrias que agregam valor à matéria-prima.
Beneficiamento amplia valor da produção
Em Sidrolândia, o processamento da mandioca tem sido uma alternativa para ampliar a renda dos agricultores. André Testolin e a esposa, Iranir Brito, mantêm há cinco anos a agroindústria Divino Sabor, no Assentamento Flórida, onde cultivam mandioca em meio hectare.
A produção abastece supermercados e programas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Segundo Testolin, a comercialização da mandioca descascada permite aumentar o valor recebido pelo produto. O quilo, que antes era vendido por cerca de R$ 1,50 com casca, chega a partir de R$ 5,00 após o beneficiamento. Ele ressalta, porém, que o processo envolve custos com embalagens e exigências sanitárias.
O Dia de Campo foi realizado pelo Governo do Estado, por meio da Agraer e da Semadesc, em parceria com o Senar/MS, e reuniu participantes de 16 municípios sul-mato-grossenses.
