Agraer apresenta novas tecnologias e avalia cultivar de mandioca com potencial para MS

Dia de Campo reuniu cerca de 200 participantes em Campo Grande; clone IAC 265-97 está em fase experimental e poderá se tornar uma nova opção para os produtores.

Publicado em 30/10/2026 às 13:47 - da Redação - Em Agronegócio

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(Aline Lira/Agraer)

Um novo material de mandioca de mesa, ainda em fase experimental, poderá ampliar as opções de cultivo para os agricultores de Mato Grosso do Sul. O clone IAC 265-97 foi apresentado durante o Dia de Campo da Mandioca, realizado nesta quinta-feira (29), em Campo Grande, que reuniu cerca de 200 agricultores familiares, técnicos, pesquisadores e estudantes, incluindo participantes de São Gabriel do Oeste e de outros municípios do Estado.

Desenvolvido em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o material está sendo avaliado pelo Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer (Cepaer). Segundo o pesquisador Eduardo Aguiar, ainda são necessários novos experimentos para comprovar sua produtividade, qualidade das raízes e adaptação às condições de cultivo.

“Estamos vendo a possibilidade de um novo cultivar de mandioca para os agricultores do Estado. Ainda está em fase experimental, mas, após a validação, poderá se tornar uma nova opção para o produtor”, afirmou.

Clone ainda passa por avaliações

O pesquisador explicou que o IAC 265-97 ainda não pode ser considerado uma cultivar. Para isso, precisa passar por experimentos comparativos com outras variedades por, no mínimo, três anos.

A previsão é concluir essa etapa até o final deste ano ou no início de 2027. Depois da validação e dos procedimentos de registro, o material poderá ser disponibilizado aos agricultores.

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(Foto: Aline Lira/Agraer)

Atualmente, o Cepaer acompanha 14 cultivares de mandioca em experimentos de campo. Desse conjunto, cinco apresentaram destaque pelo cultivo e adaptação às condições de solo e clima de Mato Grosso do Sul e foram apresentadas durante o evento.

Entre elas está a BRS 429, desenvolvida pela Embrapa, que despertou o interesse dos participantes como alternativa para diversificar o plantio e melhorar os resultados da produção.

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(Foto: Aline Lira/Agraer)

Agricultores buscam alternativas para o cultivo

A experiência de produtores também esteve entre os destaques do encontro. Antônio dos Santos, integrante da Associação Alvorada, do Crédito Fundiário, em Bandeirantes, conheceu a BRS 429 durante a Tecnofam 2026, em Dourados.

Ele levou ramas da variedade para plantar em sua propriedade e relatou que, de 16 ramas cultivadas em área irrigada, 13 vingaram. Durante o Dia de Campo, aproveitou a oportunidade para esclarecer dúvidas diretamente com o pesquisador da Agraer.

Outra participante foi Adriana Rodrigues, indígena Terena e moradora da Aldeia Jaguapiru, em Dourados. Ela e o marido cultivam mandioca em uma área de sete hectares e participaram do encontro em busca de conhecimentos para melhorar a produção e evitar prejuízos.

“Mais do que saber o que dá certo, a gente vem aqui para entender o que não dá certo e como evitar problemas”, relatou.

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(Foto: Aline Lira/Agraer)

Tecnologias abordaram mecanização, pragas e manejo

A programação foi organizada em quatro estações tecnológicas, com demonstrações sobre variedades de mandioca de mesa, mecanização das operações agrícolas, controle de pragas com uso de drones e manejo de plantas daninhas.

Entre os desafios discutidos esteve o controle da mosca-branca, considerada uma das principais pragas da cultura.

O diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, também destacou a importância da defesa sanitária vegetal. Uma palestra da Iagro abordou medidas como o cadastramento de produtores e a prevenção contra doenças que ameaçam a mandiocultura, entre elas a vassoura-de-bruxa da mandioca, já registrada em outras regiões do Brasil.

O assessor técnico do Senar/MS, Dorly Scariot, ressaltou a parceria entre as instituições para aproximar o conhecimento técnico da realidade das propriedades rurais.

Novas tecnologias para melhorar produção.
Novas tecnologias para melhorar produção. (Foto: Aline Lira/Agraer)

MS produziu mais de 1,5 milhão de toneladas em 2025

A importância econômica da mandioca em Mato Grosso do Sul também foi destacada durante o encontro. Dados do IBGE apontam que o Estado produziu 1.507.693 toneladas da raiz em 2025, em uma área colhida de 62.546 hectares.

O valor da produção alcançou R$ 871,588 milhões, com rendimento médio de 24 toneladas por hectare. O Estado reúne ainda 12.329 estabelecimentos produtores, conforme registro de 2017.

Itaquiraí lidera a produção estadual, enquanto Sidrolândia se destaca pela presença de agricultores familiares e agroindústrias que agregam valor à matéria-prima.

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(Foto: Aline Lira/Agraer)

Beneficiamento amplia valor da produção

Em Sidrolândia, o processamento da mandioca tem sido uma alternativa para ampliar a renda dos agricultores. André Testolin e a esposa, Iranir Brito, mantêm há cinco anos a agroindústria Divino Sabor, no Assentamento Flórida, onde cultivam mandioca em meio hectare.

A produção abastece supermercados e programas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Segundo Testolin, a comercialização da mandioca descascada permite aumentar o valor recebido pelo produto. O quilo, que antes era vendido por cerca de R$ 1,50 com casca, chega a partir de R$ 5,00 após o beneficiamento. Ele ressalta, porém, que o processo envolve custos com embalagens e exigências sanitárias.

O Dia de Campo foi realizado pelo Governo do Estado, por meio da Agraer e da Semadesc, em parceria com o Senar/MS, e reuniu participantes de 16 municípios sul-mato-grossenses.