Diagnóstico de dengue em criança é mais difícil

Imagem: Arte/TV Globo

O diagnóstico é mais difícil de fazer porque as crianças não têm clareza de alguns sintomas, como dor muscular. Muitos dos sintomas da dengue podem ser confundidos com outras doenças, como gripes ou virose.

14/02/2020 às 08:46 | Bem Estar/Globo.com

Por mais que todo ano se fala da dengue e as campanhas alertem para o risco de picadas pelo mosquito Aedes aegypti, quando a pessoa adoece, a dificuldade no diagnóstico ainda é grande. E quando o paciente é uma criança, fica mais complicado.

É mais difícil diagnosticar dengue em crianças porque elas não têm clareza de alguns sintomas, como dor muscular, por exemplo, e porque muitos sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como gripe ou virose.

Dois casos recentes, com as mortes de duas crianças, chamaram a atenção no interior de São Paulo. Em São Simão, uma menina de oito anos passou mal e foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A criança foi dispensada após ter um diagnóstico de gripe. Os remédios receitados não fizeram efeito e ela piorou.

Com muita dor abdominal, a menina foi levada para Ribeirão Preto. Passou por outro médico na UPA e foi liberada em seguida. Levada novamente para UPA, ela teve uma parada cardíaca. Chegou a ser removida para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas não resistiu.

A secretaria de Saúde da cidade diz que deu todo o atendimento necessário, mas os pais reclamam do atendimento que ela recebeu.

Outro caso, na mesma cidade, foi de um menino de 10 anos. Com febre e dores no corpo, ele foi atendido várias vezes em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) da cidade. Era sempre medicado e liberado, mas voltava a passar mal em casa.

De acordo com o pai, o menino ainda foi levado ao Hospital das Clínicas, mas teve uma parada cardíaca e também não resistiu. A secretaria de Saúde de Ribeirão Preto alegou que, a princípio, ele não tinha os sintomas de dengue e que o atendimento seguiu o recomendado pelos órgãos de saúde até que a doença fosse diagnosticada.

“Um dos grandes desafios em relação a dengue é em relação a manifestação da doença. São muito variadas, desde forma leve, que passa despercebida pelos pais, até quadros graves. Não existe uma manifestação exclusiva da dengue, os sintomas se confundem”, alerta o pediatra e infectologista Marco Aurélio Safadi.

Os sintomas mais frequentes são: febre alta e repentina, dor atrás dos olhos e dor muscular. “A dor de cabeça da dengue tem uma particularidade. Quem está com a dengue, tem muita dor atrás dos olhos”.

Veja outros sinais de alerta: 

  • Dor de cabeça
  • Falta de apetite
  • Vômito e diarreia
  • Manchas vermelhas na pele
  • Sangramento (nariz e gengiva)

Muitas dessas manifestações fazem parte da gripe, por exemplo. Por isso, acaba confundindo no diagnóstico. “Essas são as formas que compõem a dengue clássica, mas a pessoa pode ter variadas apresentações e nem sempre todas elas aparecerão”, completa o infectologista.

A dengue é uma doença sazonal. Os casos se concentram mais entre janeiro e abril. Por isso, apesar do diagnóstico difícil, Safadi lembra que a população deve ficar alerta. Alguns sintomas podem indicar uma complicação da doença: nível de consciência alterado, vômitos persistentes, dor abdominal muito forte, sonolência ou irritabilidade, falta de ar, hemorragias.

“Uma vez que apareça qualquer um desses sinais, a pessoa deve ir imediatamente a um pronto-socorro. Lá, o médico irá orientar a internação, a admissão hospitalar”, diz Safadi.

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