São Gabriel: Professor de Educação Física fala sobre quarentena e falta de futebol para as crianças

Em conversa com o site Idest, Rafael falou sobre como tem sido sua rotina em casa e não esconde que a paralisação traz um grande impacto em sua vida.

24/04/2020 às 10:41 | do Idest, JWC

Professor Rafael da Costa. Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto as atividades futebolísticas estão paralisadas por conta do coronavírus, o professor de Educação Física em São Gabriel do Oeste, Rafael da Costa, busca analisar o que foi trabalhado até aqui com os atletas da escolinha de futebol para identificar pontos a serem melhorados no retorno as atividades. Em conversa com o site Idest, Rafael falou sobre como tem sido sua rotina em casa e não esconde que a paralisação traz um grande impacto em sua vida. Além disso, o professor acredita que a ausência de treinos e jogos modifica o cotidiano de grande parte das crianças e seus familiares.

“O futebol é um acontecimento, e para quem está envolvido com isso, que é a sociedade, o pai, a mãe ou responsáveis pelo atleta, sentem muito, a gente sente muito. O futebol é um braço muito forte da cultura do Brasil, é um espetáculo, onde muitas vezes a gente descarrega os nossos sentimentos e as nossas emoções. Eu sinto muita falta do treinamento, me sinto muito realizado quando entro em campo para dar um treino e melhorar o aprendizado dos jogadores. Minha vida se resume na minha família e trabalhar com o treinamento. Então neste momento sem contato com o futebol, estou cuidando da minha família, que está sendo muito bom também, uma vez que agora o tempo em casa é maior e consigo aproveitar o crescimento do meu filho, ajudá-lo nas atividades e tarefas da escola no dia a dia”, destacou Rafael.

O professor afirmou que um questionamento é comum, "e agora o que fazer com a garotada para gastar energia?". 

"Para gastar energia, há muito além da bola e um treino de futebol. Pais, usem e abusem da criatividade! Patinação de meia, guerra de papel, algodão ao alvo, ouvir música ou atividades de imaginação, como criar um brinquedo de sucata, desenhar, escrever cartinhas são meios fáceis para entreter a garotada e fazer que gastem energia. Para os maiores ainda podemos ter como carta na manga o quebra-cabeça, inventar o próprio jogo de tabuleiro, criar roupas para os bonecos, jogos de adivinhação ou até mesmo utilizarmos um espaço da casa para brincar com a bola, utilizar fundamentos do futebol e até dribles curtos, basta usarmos a imaginação", diz Rafael, complementando que, para quem tem mais espaco em casa, vale propor bagunça no quintal e até mesmo caça ao tesouro. "Depois da algazarra, a arrumação é mais um motivo para seguir com a diversão. O importante é que os senhores tomem cuidado com as crianças e motive-as a praticar alguma atividade física nesta quarentena", alerta.

Por fim, Rafael revelou quais são suas maiores preocupações em relação ao avanço do coronavírus no Brasil. Apesar de trazer uma mensagem positiva, Rafael teme pelos danos sociais e econômicos causados pela covid-19.

“Eu estou muito preocupado e ao mesmo tempo esperançoso com os novos estudos e a possibilidade de conter o avanço da doença, pois, a quantidade de desempregados que a gente pode ter se esse período durar muito, vai ser grande, quantas famílias vão sofrer com isso, eu mesmo sou um que estou sofrendo com este momento, sem pensar que pode se instalar até mesmo uma crise financeira no país. Ao mesmo tempo sou um cara otimista, tenho muita confiança de que vamos nos juntar como sociedade e aprender com tudo isso que tem acontecido. E pra finalizar, penso que nós devemos aproveitar esse tempo de quarentena para refletir sobre as nossas atitudes, agradecer mais pelo dom da vida, ter gratidão a Deus, e principalmente amor e carinho a sua família na esperança que dias melhores estão por vir”, encerrou o professor Rafael.

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